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‘Vamos fortalecer o Galeão. O pré-sal trouxe uma dinâmica interessante’


Presidente da aérea TAM anuncia voos do Rio para Orlando e Montevidéu
Empresa também estuda frequências do Galeão para Madri e quer reforçar rota de Nova York, de olho no segmento corporativo. No mercado doméstico, planeja corte de voos no Norte e no Nordeste em 2013, além de mais aviões reserva, para evitar indenização por atraso

Para cruzar a porta da sala da presidência da TAM, no sétimo andar, é preciso passar por um guarda- costas. Uma exigência da Infraero pelo fato de a sede da companhia ser na beira da pista de pouso do Aeroporto de Congonhas. A preocupação com a segurança contrasta com a leveza de Marco Antonio Bologna, na presidência do grupo TAM desde abril de 2010. À vontade para falar do momento de aperto pelo qual a empresa está passando — o prejuízo foi de R$ 921 milhões no segundo trimestre do ano —, ele gesticula e desenha para não deixar dúvidas sobre a estratégia da empresa: crescer no mercado internacional e retrair temporariamente no doméstico, onde crescimento abaixo do esperado, dólar valorizado e reajuste do petróleo pegaram as aéreas de surpresa.

● Depois da fusão da Azul com a Trip, quem será a parceira da TAM para o mercado regional?


Quando saiu o anúncio da fusão, sentamos com eles e decidimos que o compartilhamento será restrito aos voos de alimentação e distribuição (voos que partem de cidades onde a TAM não opera para destinos que a TAM opera e vice-versa), pois a Azul tem atuação nas chamadas rotas troncais, onde nós operamos. Isso está valendo desde agosto. É uma relação ganha-ganha. Para nós, é bom porque (ao manter o acordo de compartilhamento de voos) gera passageiro, e para eles também.

● Como ficarão os voos internacionais da TAM após a fusão com a chilena LAN?


A Latam (empresa fruto da fusão, concluída em junho de 2012) opera em 22 países com 150 destinos, considerando voos de passageiros. Não estamos adicionando novos destinos e, sim, colocando mais frequências e fortalecendo o hub (centro de distribuição de voos) do Galeão, que já é o segundo hub internacional para nós. O mercado do Rio está aumentando a demanda. O pré-sal trouxe uma dinâmica interessante. Vamos inaugurar Rio-Montevidéu (que será diário a partir de 15 de novembro) e também Rio-Orlando (que também será diário a partir de 29 de outubro). Estamos avaliando ainda a possibilidade de Rio-Madri. E queremos aumentar a frequência de Nova York (hoje são seis vezes por semana). A TAM também voa para Londres, Frankfurt, Paris, Miami e Buenos Aires a partir do Galeão.

● No mercado doméstico, a TAM vem tendo prejuízo (foram R$ 928 milhões no segundo trimestre). Como contornar isso?

 
Vamos reduzir a capacidade em 7% ano que vem por um somatório de efeitos: vamos deixar de voar tantas horas, tirar frequências em destinos menos rentáveis e teremos mais aviões em solo. Mas vamos continuar atendendo todos os destinos.

● Onde serão os cortes?

 
Os mercados mais rentáveis estão onde há mais densidade de tráfego executivo. São seis cidades: Rio, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Mercados menos rentáveis são os de lazer, que estão mais concentrados no Norte e Nordeste. Mas estas regiões também geram negócios. Então, no Nordeste, por exemplo, será uma questão de adequar horários.

● Haverá demissões?


A redução de voos vai implicar ajustes de pessoal.

● Que outras medidas a empresa está tomando para cortar custos?


Vamos voar a partir de 2013 com três aviões reserva, em vez de um. Por que isso? A resolução 141 da Anac passou a regular as indenizações por atraso ou cancelamento de voo. Temos que indenizar os passageiros independentemente da causa. Além disso, vamos ter obra nos aeroportos, o que vai restringir as operações num primeiro momento. Então, é melhor ter uma capacidade de reserva maior para melhorar nosso desempenho. (Manter os aviões em solo) vai ser mais barato do que o volume de indenizações a ser pago em caso de atraso.

● Houve um otimismo exagerado do setor em 2012?


Todo mundo imaginava que continuaríamos a crescer dois dígitos este ano. Essa dinâmica mudou, o mundo cresce menos. E cresce menos com forte impacto de custos. O petróleo que nos chega aqui tem o custo de Logística de importação e ainda tem incidência de ICMS, com alíquota média de 20%. É um impacto tributário que em outros países, como Chile e EUA, não tem. Além disso, hoje estamos no país 2.0, com dólar a R$ 2. Em 2010, todo mundo dizia que o dólar podia varar R$ 1,50. Quase 60% de nossa matriz de custos é indexada ao dólar. Tivemos ainda um aumento de tarifas aeroportuárias.

● Quando a TAM volta ao azul?

 
Estamos lutando para voltar no ano que vem.

● Qual sua perspectiva de crescimento para a economia brasileira e para o setor de aviação este ano? 

 
Consideramos um PIB (Produto Interno Bruto, conjunto de bens e serviços produzidos) para 2013 de 3,5% e, para este ano, de 1,6%. Para o setor, crescimento de 7% neste e no próximo ano.

● A TAM cogitou comprar a TAP no passado. Mantém o interesse?


Olhamos no passado, mas hoje a prioridade do grupo Latam é integração, integração, integração. #

“Todo mundo imaginava que íamos continuar a crescer dois dígitos este ano. Essa dinâmica mudou. O mundo cresce menos”
“A prioridade do grupo Latam é a integração”
Marco Antonio Bologna,
presidente do grupo TAM

fonte: O Globo

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