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UE sela acordo para reduzir zona de proibição aérea

 Novo regime deve entrar em vigor às 3h de terça (20); nesta segunda, até 9 mil voos devem operar, apenas 30% da média

A União Europeia (UE) fechou um acordo nesta segunda-feira (19) para reduzir a zona de proibição aérea provocada por uma nuvem de cinzas proveniente de um vulcão da Islândia, sob a pressão das companhias aéreas que estão perdendo US$ 250 milhões por dia.

Embora alguns países estivessem abrindo seu espaço aéreo, as autoridades afirmaram acreditar que menos de um terço dos voos operasse na Europa na segunda, no quinto dia do caos aéreo que afetou passageiros de todo o mundo e causou o cancelamento de voos de carga.

“No nível nacional e no europeu, decidimos agir passo a passo rumo à normalização, dentro de rígidas exigências de segurança”, disse o ministro de Transportes da Alemanha, Peter Ramsauer, à televisão N24.

Um diplomata da UE dissera antes que parecia haver um consenso em torno da criação de novas zonas com uma região de proibição aérea perto do vulcão e uma zona mais ampla onde os voos estariam sujeitos a restrições de segurança e a verificações, mas não proibição.

Ele afirmou que o novo regime deveria entrar em vigor às 3h de terça (20), no horário de Brasília.

A Comissão Europeia afirmou que poderá aprovar uma compensação para amenizar as perdas das companhias aéreas decorrentes do fechamento.

“Este vulcão [expelindo cinzas na Islândia] paralisou o setor aéreo, primeiro na Europa, e agora está tendo implicações mundiais. A escala do impacto econômico já é maior do que no 11 de Setembro (de 2001), quando o espaço aéreo dos EUA foi fechado por três dias”, disse o chefe da Iata, a associação internacional da aviação comercial, Giovanni Bisignani. Ele afirmou que as companhias aéreas estavam perdendo US$ 250 milhões por dia em receitas.

“Precisamos nos afastar desta proibição generalizada e encontrar formas de abrir de modo flexível o espaço aéreo, passo a passo”, disse.

As ações das companhias aéreas caíram e o comissário da UE para concorrência, Joaquin Almunia, disse que estava considerando amenizar as regras para auxílio estatal.

A British Airways, que diz ter perdido entre 15 e 20 milhões de libras (US$ 22 a US$ 30 milhões) por dia em receitas com passageiros e cargas, afirmou ter solicitado uma compensação aos governos nacionais e à EU.

Milhões de passageiros ficaram presos ou tiveram problemas com viagens. “Não podemos viajar por causa do vulcão, então nos deixaram em Roma, e agora estamos tentando ir para o norte, mas está caótico”, disse o britânico Mark, na estação central de Roma, tentando voltar para Duesseldorf, na Alemanha.

Queda de 70%

A agência de controle aéreo Eurocontrol disse na segunda que de 8 mil a 9 mil voos devem operar durante o dia na Europa, o que representa apenas 30% do normal. No fim de semana, menos de 25% dos voos operaram. Desde quinta (15), ao menos 63 mil foram cancelados.

Áustria e República Tcheca abriram seus aeroportos na segunda. Alguns países abriram seu espaço aéreo, mas outros mantiveram os decretos de proibição de voos. A Itália fechou o espaço aéreo no norte do país após abri-lo por pouco tempo na segunda, e anunciou que vai reabri-lo na terça às 3h (horário de Brasília).

A França afirmou que reabriria progressivamente os aeroportos e criaria um corredor aéreo para Paris a fim de amenizar a crise nos transportes.

O comissário de comércio da UE, Karel De Gucht, disse que a economia da União Europeia enfrentaria sérias consequências se a paralisação continuasse por muito tempo. “O que me dá um pouco de medo é que não há um timer nesse vulcão”, disse ele à Reuters.

A nuvem vulcânica originária da Islândia impede milhões de passageiros de decolarem e prejudica também o comércio exterior. Na Grã-Bretanha, muitas empresas disseram que seus funcionários que foram viajar ao exterior na Páscoa não conseguiram voltar. Hospitais anunciaram o cancelamento de cirurgias devido à ausência de médicos.

O Met Office (departamento meteorológico) britânico divulgou um gráfico prevendo pouca movimentação da nuvem de cinzas sobre a Europa nos próximos três ou quatro dias, mas prevendo que ela poderia se dirigir para a costa leste da América do Norte.

A cinza vulcânica, abrasiva, pode arranhar superfícies aerodinâmicas e afetar motores, sistemas eletrônicos e parabrisas.

O Departamento Meteorológico da Islândia disse que a erupção do vulcão sob a geleira Eyjafjallaokull causou novos tremores na segunda na região, mas que a coluna de cinzas já desceu para cerca de 2 km de altura, após chegar a até 11 km na semana passada.

Os transtornos afetam também voos dos EUA e da Ásia para a Europa. Na Rússia, os aeroportos continuam abertos, mas os voos para a América do Norte estão sendo redirecionados para passarem sobre o polo Norte.

 
 
FONTE: Abril.com
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