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Taxa de ocupação foi o “segredo” da TAP para o recorde de lucros em 2010


A subida da taxa de ocupação em seis pontos, o que aliás fez da TAP a companhia da AEA com melhor desempenho a esse nível em 2010, foi a base do recorde de lucros em 2010, já que lhe permitiu ter um aumento da receita unitária que o PressTUR estima ter sido ligeiramente acima de 7%, apesar da queda do yield (preço médio por passageiro x quilómetro).

Os dados publicados ontem pela TAP indicam que em 2010 teve um crescimento das receitas de passagens em 11,8%, acima do aumento do número de passageiros (+7,7%, para 9,088 milhões), o que indica uma subida da tarifa média, mas abaixo do aumento do tráfego em passageiros x quilómetros (RPK, na sigla em inglês), que é a unidade mais utilizada na aviação, cujo aumento foi de 13,6%.

Desta forma, embora com um aumento da tarifa média na ordem de 3,8%, para aproximadamente 203 euros, o yield tem uma queda da ordem de 1,5%.

Em ambos os casos a explicação está no crescente peso do tráfego intercontinental, que têm efeitos contrários na tarifa média e no yield.

Em regra, a tarifa média aumenta quando é maior a proporção de passageiros que fazem viagens mais longas, porque os preços são mais elevados, mas isso pouco revela sobre a rentabilização da operação, porque o que é verdadeiramente importante é quanto é que a empresa recebe não só por passageiro mas também pela distância que ele percorre.

E neste caso, a tendência é inversa, ou seja, o yield decresce à medida que aumenta a etapa média, porque também o custo unitário baixa.

A queda do yield registada pela TAP é, assim, uma consequência, já esperada, corrente do aumento da etapa média dos passageiros, que transparece dos dados já divulgados pela companhia, de acordo com os quais no ano passado 25% voaram em ligações intercontinentais, que regra geral são mais longos, quando em 2009 estava em 23%.

Esta evolução ocorre por que a TAP, que teve um aumento médio do número de passageiros em 7,7% em 2010, obteve esse incremento por crescimentos nas linhas de África (+11% para 602 mil), Estados Unidos (+10%, para 175 mil) e Brasil (+25%, para 1,427 milhões), enquanto nas linhas domésticas teve queda de 5,2%, pela queda em 8% nas rotas da Madeira e Açores, para 936 mil passageiros, e estagnação em Portugal Continental, nos 563 mil passageiros, e nas rotas europeias o aumento foi de 8%, para 5,29 milhões.

Esta evolução conduziria a uma queda do yield mais acentuada do que a que decorre dos números divulgados pela companhia, o que uma vez mais vem evidenciar a importância das linhas do Brasil, onde a receita cresceu 35% face a um aumento do número de passageiros em 25% e a um incremento da oferta de lugares em 7%.

A informação divulgada pela TAP mostra que no conjunto da rede o aumento da receita em 11,8% ocorreu face a um aumento de capacidade em apenas 4,4%, pelo que embora tenha facturado menos por cada quilómetro percorrido pelos passageiros, porque tendo melhor ocupação os voos geraram mais receita.

Os números divulgados ontem pela TAP mostram que foi dessa forma que a TAP não só compensou a queda do yield como registou um incremento das receitas de passagens em 11,8% ou 195 milhões de euros, para 1.843 milhões de euros, a que acrescem ainda os crescimentos das receitas de carga, em 30,2% ou 26 milhões de euros, para 112 milhões, da manutenção para terceiros, em 27,8% ou 27 milhões, para 124 milhões, e das outras actividades, em 54,3% ou 50 milhões, para 142 milhões.

O aumento médio dos proveitos de exploração foi, assim, em cerca de 15,5%, menor em percentagem que o acréscimo dos custos de exploração, cujo aumento foi de 16,1%, para 1.928 milhões.

Em valor, porém, o acréscimo dos proveitos, em 298 milhões, superou o aumento dos custos, que foi de 221 milhões, levando a um aumento dos proveitos líquidos gerados pela actividade operacional (EBITDAR, resultados antes de juros, impostos, amortizações e provisões) em 11,8% ou 31 milhões de euros, para 293 milhões, um valor “interessante”, no comentário ontem do CEO Fernando Pinto.

Os dados da TAP mostram também, que esse maior incremento dos custos de exploração teve origem uma vez mais nos combustíveis, que representaram 27,1% do total, quando em 2009 tinham representado 21,6%, por um agravamento de 164 milhões (+45,7%, para 523 milhões), provocado em 86,6% (142 milhões) pelo encarecimento do jet fuel, com os restantes 22 milhões a decorrerem do crescimento da operação, segundo esclareceu o CFO Michael Conolly.

Os dados da TAP mostram que excluindo o combustível, os custos de exploração da TAP subiram apenas 7,9% (mais 103 milhões), para 1.405 milhões, mais do que o incremento da operação (+4,4% em lugares x quilómetros), mas já bastante menos que o tráfego (+13,6%) e que a receita de passagens (+11,8%).

Para essa contenção concorreram os custos com fornecedores e serviços externos, maior rubrica de custos (48,8% do total), cujo aumento foi de 4,4%, para 940 milhões, e pessoal (22,1% dos custos), com +6%, para 427 milhões de euros.

Fonte: Presstur

Agência Lelo - Laboratório Criativo
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