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TAM planeja desmembrar negócio de manutenção


Um projeto aventado no fim de 2009 pela TAM tem tudo para se tornar realidade ano que vem: a independência da área de manutenção da companhia, a exemplo do que aconteceu com o Multiplus, programa de fidelidade que levantou R$ 723 milhões numa oferta pública inicial de ações realizada na Bovespa em fevereiro de 2010. A informação foi dada ontem ao Valor pela presidente do conselho de administração da TAM, Maria Cláudia Amaro, durante a 67ª edição do encontro anual da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), que está sendo realizado em Cingapura.

Em sua primeira entrevista após as notícias de que a fusão entre a LAN e a TAM corre o risco de ser restrita ou vetada pela autoridade antitruste chilena, Maria Cláudia também comentou suas expectativas sobre a aprovação do negócio. Disse estar tranquila e otimista de que as companhias terão sinal verde para levar adiante a união anunciada em agosto de 2010.

No dia 26 de maio, a criação da Latam foi discutida em audiência pública no Chile a pedido do órgão de defesa consumidor local (Conadecus). Entre acusações de monopólio na rota São Paulo- Santiago feitas por rivais no Chile, ficou estabelecido que o Tribunal de Defensa de la Libre Competencia (TDLC) vai emitir um parecer em até 60 dias, contados a partir da realização dessa audiência.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: Como a sra. avalia a situação da Latam no Chile? Está preocupada com um possível veto à fusão?


Maria Cláudia Amaro: É inegável que temos um projeto vencedor, que é a Latam. E nós confiamos absolutamente nesse projeto, da mesma forma que confio na avaliação da autoridade chilena sobre ele, que é vencedor para o consumidor, para os funcionários e para os países. Ele agrega valor e riqueza no sentido de geração de emprego. Então, não tenho muita preocupação. O tribunal [TDLC] tem o tempo dele, ele irá se manifestar, estou muito otimista com a avaliação. Neste momento seria até malicioso da minha parte dizer que tenho alguma preocupação.

Valor: Há um plano B?


Maria Cláudia: Dizer que haveria plano B é quase leviano. É inegável que a consolidação é uma tendência mundial. Isso está no ar, está rodando. O mundo está buscando esse caminho. É claro que nós buscamos no tema consolidação o melhor parceiro para a TAM e o melhor parceiro para a LAN. Disso eu não tenho dúvida. Acreditamos na solidez desse projeto e temos muita certeza que é com ele que vamos ficar.

Valor: Ficou surpresa quando o presidente da LAN, Enrique Cueto, falou recentemente que poderia procurar a Gol, caso a Latam seja vetada? Ficou com ciúmes?


Maria Cláudia: (risos) Não fiquei surpresa. Acho que as coisas são faladas e de repente tiradas de contexto. Não teve ciúme. São seis anos construindo esse acordo entre nós. É uma relação muito próxima, de amigos.

Valor: Caso seja aprovada a fusão, depois de integrada, a nova companhia pode buscar parceiros intercontinentais?


Maria Cláudia: Tem que estar aberto para olhar qualquer tipo de consolidação que exista. A grande questão é que haja sinergia. É um exercício de ‘futurologia’ perigoso, mas não dá para dizer que nós não estaremos olhando oportunidades em outros continentes.

Valor: Há planos de outros negócios entre a família?


Maria Cláudia: Vocês já viram o Multiplus, que foi a primeira tentativa bem sucedida nesse segmento. Estamos olhando alguma coisa talvez na área de manutenção. A gente olha, de repente, ter uma estrutura mais focada nesse segmento mesmo.

Valor: Seria um projeto para quando?


Maria Cláudia: Ano que vem.

Valor: Teria uma marca nova?


Maria Cláudia: Pode ser que sim, mas por enquanto não, chama-se TAM Manutenção.

Valor: Já dimensionaram o investimento?


Maria Cláudia: Não, não, não. Estamos fazendo estudos, olhando como faz, colocando foco no negócio. Foi como fizemos com o Multiplus. Primeiro a gente identificou que havia uma necessidade, colocamos foco, uma gestão específica para aquilo para poder começar a olhar: temos um negócio, o que temos na mão e como vamos caminhar.

Valor: Seria como o Multiplus, com vocação para ser uma empresa separada?


Maria Cláudia: Pode ser que sim.

Valor: Seria uma estrutura separada de São Carlos, onde está a manutenção da TAM?


Maria Cláudia: Pode ser em São Carlos, mas uma empresa separada, para desmembrar.

Valor: A TAM cresceu com o slogan “TAM para todos”, mas o governo está aumentando os juros para conter o crédito e estagnar a inflação. Isso preocupa?


Maria Cláudia: O Brasil é um país de dimensão tão continental que eu não acho que o consumo da aviação seja como o de outros produtos. O transporte é uma necessidade. As pessoas, de fato, têm de se deslocar para trabalhar. E num país com as dimensões do Brasil não é factível fazer uma viagem terrestre, dependendo da distância, pois fica inviável.

Fonte: Valor Econômico
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