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Por que ocorrem os Acidentes ?

Nos primórdios da aviação, acidentes aeronáuticos eram considerados resultado único de falhas do avião ou do piloto. Com o passar do tempo, este conceito foi modificado graças a um melhor entendimento dos problemas inerentes à aviação. Hoje sabe-se que um acidente é resultado de várias causas – chamadas fatores contribuintes – que juntas desencadeiam uma série de eventos que acabam por ocasioná-lo. Assim, quando perguntamos por que um avião caiu, raramente encontramos um único motivo, o que faz com que a resposta seja complexa. Podemos, porém, distinguir quatro fatores contribuintes que mais freqüentemente aparecem relacionados a acidentes aeronáuticos.

O AVIÃO

Enquanto um dos maiores problemas encontrados pelos pilotos pioneiros era a falta de confiabilidade dos motores, atualmente eles raramente falham graças ao elevado nível de tecnologia empregada em sua construção. Por outro lado, quando um dos motores de um avião falha, cria-se um desbalanceamento de forças que, além de reduzir sua performance, gera sérios problemas de controlabilidade que exigem o máximo da habilidade do piloto.

Da mesma forma, os vários instrumentos existentes na cabine de pilotagem de um avião moderno permite que ele seja operado com segurança nas mais variadas condições de tempo. Todavia, como todo sistema complexo, também criam a possibilidade do piloto, por um motivo qualquer, operá-los erradamente.

Esses dois exemplos implicam que a tecnologia aeronáutica, apesar de sob certos aspectos ter facilitado a operação de um avião, acabou por criar outros problemas que precisam ser solucionados para que um vôo torne-se mais seguro.

A INFRA-ESTRUTURA

Por ser bastante complexa, a infra-estrutura aeronáutica é uma geradora em potencial de vários fatores contribuintes. Destes, talvez os mais importantes relacionem-se às pistas de pouso e auxílios à navegação. Pousar um avião que pesa 50.000 kg (é o caso do Boeing 737) a uma velocidade de 240 Km/h é uma tarefa, no mínimo, exigente. Se o pouso vai ocorrer à noite sob condições meteorológicas adversas, este nível de exigência triplica. Logicamente, quando mais se exige de uma pessoa para executar determinada tarefa, maior são suas chances de falhar, a não ser que lhe sejam dadas condições adequadas para executar tal trabalho. Neste caso especificamente, o que o piloto precisa é de pistas longas o suficiente, que criem margens de tolerância adequadas tornando mais fácil nelas se operar.

Já com relação aos chamados auxílios à navegação, é necessário que eles gerem informações as mais precisas possíveis. É, então, fácil entender porque os auxílios à navegação que mais exigem da habilidade de um piloto e que mais aparecem relacionados a acidentes ocorridos em aproximações sob condições meteorológicas adversas, são os chamados de “não-precisão”.

Infelizmente, operar em pistas curtas e efetuar aproximações sob mau tempo usando auxílios de “não-precisão” são muito mais a regra do que a exceção. Juntando estes dois ingredientes às limitações humanas inerentes ao piloto, teremos um acidente em potencial para ocorrer.

O TEMPO

Este é o único fator contribuinte sobre o qual o homem não exerce nenhum controle. Lidar com ele, porém, é uma tarefa exigente, uma vez que se encontra em constante mutação e é, às vezes, até violento. Por outro lado, o homem pode prever com certa exatidão quando determinado fenômeno vai ocorrer. Em termos de aviação e, principalmente, quando consideramos o grau de exatidão que determinada informação precisa ter para tornar-se útil ao piloto, estas previsões deixam muito a desejar. Saber que num período de tantas horas poderá chover em determinado lugar, pouco adianta ao piloto. Ele precisa é saber, por exemplo, que condições de tempo vai encontrar quando estiver efetuando uma aproximação para pouso. Esta falta de precisão faz com que muitas vezes o piloto encontre condições adversas com a qual não contava e, conseqüentemente, para qual não estava preparado. Dependendo das circunstâncias, um acidente torna-se irreversível.

O HOMEM

O homem tem três fontes principais de informações pelas quais é capaz de manter o equilíbrio em relação à superfície da Terra, a saber: aparelho vestibular (ouvido interno), o sistema visual e o sistema proprioceptivo (pele e articulações).

Em terra, estes sistemas funcionam devidamente. Já em vôo, o corpo pode ser afetado por uma variedade de acelerações fazendo com que somente os olhos sejam confiáveis para fornecer uma verdadeira imagem da atitude do corpo no espaço, desde que recebam informações corretas através do mundo externo ou de instrumentos de vôo. Acontece que a visão humana também está sujeita às mais variadas ilusões de ótica. Considere o seguinte exemplo de “autocinesis”: uma luz fixa olhada detidamente durante vários segundos no escuro, produzirá a impressão de estar se movendo. Da mesma forma, durante uma aproximação para pouso à noite em determinadas circunstâncias, a pista parece se mover para o piloto. Se está chovendo, a luz, ao passar pela água, sofre distorções que geram uma imagem errada para o piloto de seu posicionamento com relação à pista. Um pouso ruim torna-se uma possibilidade.

O fator humano é, então, um fator contribuinte de extrema importância na ocorrência de um acidente. Simplesmente culpar o piloto, porém, em nada contribui para a segurança do vôo. É preciso, sim, encontrar meios que ajudem-no a lidar com suas limitações.

 FONTE: Air Safety Group
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