Desigualdade de renda amplia estresse em aviões, aponta estudo

As viagens aéreas se tornaram um universo de ricos e pobres, algo que começa na compra das passagens e continua enquanto os passageiros são separados por status na hora do embarque. Uma vez a bordo, os passageiros percebem onde se encaixam na hierarquia. Os assentos e o espaço para acomodar as pernas encolhem conforme progride a numeração das fileiras.

Agora, alguns pesquisadores estão dizendo que o estresse de voar – entre os quais estaria a desigualdade de renda – contribuem para uma alta no mau comportamento a bordo dos aviões.

Passageiros bêbados são uma das causas do comportamento inadequado nos aviões. Alguns aeroportos trabalham para reduzir a bebedeira. Foto: Robert Leon para The New York Times

A Associação Internacional dos Transportes Aéreos, grupo representante da indústria, identificou um incidente de perturbação entre os passageiros para cada 1.053 voos em 2017, ano mais recente para o qual há dados disponíveis. Em 2016, houve um incidente do tipo para cada 1.424 voos.

“Os aviões são a encarnação física de uma hierarquia de status”, disse o professor de psicologia Keith Payne, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. “São como uma escada social feita de alumínio e estofamento”.

Um estudo publicado em 2016 identificou que as diferentes classes em um avião aumentam a probabilidade do mau comportamento. A presença de uma área de primeira classe, além da classe econômica, foi associada a incidentes de fúria aérea mais frequentes.

A associação dos transportes aéreos disse que os incidentes mais perturbadores podem ser enquadrados em várias categorias, sendo as mais comuns a violação das regras de segurança, bebedeira excessiva antes da decolagem e tabagismo. A associação também recebeu relatos de incidentes mais graves, incluindo agressões físicas e danos ao equipamento.

Organizações britânicas e da União Europeia estão criando programas para minimizar as perturbações. Em meados do ano passado, 14 aeroportos iniciaram a campanha One Too Many (Exagerando na dose, em tradução livre), uma iniciativa para limitar a bebedeira excessiva. Bares e restaurantes eliminaram de seus cardápios os shots de destilados e a dose dupla de cerveja.

A campanha britânica ‘One Too Many’ (Exagerando na dose) busca limitar a bebedeira excessiva antes dos voos alertando os passageiros para os riscos. Foto: UK Travel Retail Forum, via The New York Times

No primeiro semestre deste ano, a Agência de Segurança Aérea da União Europeia e a associação de transportes aéreos iniciaram uma campanha nas redes sociais, #NotOnMyFlight (#nomeuvoonão), cujo objetivo é chamar a atenção para o comportamento inadequado.

Um dos incidentes mais extremos ocorreu em um voo da Ryanair partindo de Dublin com destino a Malta, no fim de abril. Brigas tiveram início, e passageiros alcoolizados pularam nos bancos e foram abusivos com as aeromoças. A tripulação solicitou a ajuda da polícia ainda no ar e, quando o avião aterrissou, os policiais removeram e detiveram alguns dos passageiros.

Está em andamento uma iniciativa internacional para adoção de regras mais gerais para lidar com o mau comportamento dos passageiros, chamada de Protocolo de Montreal 2014.

Atualmente, as violações são julgadas de acordo com as leis do país em que a aeronave está registrada. Sob as novas regras, a jurisdição regendo os passageiros seria ampliada para incluir o país de destino dos voos. O tratado requer a assinatura de 22 países para ser ratificado. Por enquanto, 19 já assinaram, e não há cronograma para sua implementação.

Payne destacou que os espaços apertados aumentam o risco de agressão. Mas, segundo ele, “as empresas aéreas continuam amontoando cada vez mais pessoas no mesmo espaço, acrescentando também gradações nesse espaço”.

fonte: Estadão Internacional
Tradução: Augusto Calil

Agência Lelo - Laboratório Criativo
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